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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2020

1.898 em 28/05/2020

Empresário suspeito de golpe milionário na Caixa perde olho após sofrer atentado a tiro. Polícia já investiga suposta queima-de-arquivo

Hybernon Cysne 002

Hybernon Cysne recebeu um tiro no rosto, no apartamento da mãe

A Polícia Civil vai instaurar inquérito para investigar o suposto atentado sofrido pelo empresário e piloto de automobilismo paulista radicado em Fortaleza, Hybernon Cysne Neto, um dos suspeitos de envolvimento em um golpe milionário nos cofres da Caixa Econômica Federal no Ceará. Na tarde de quinta-feira passada (21), ele sofreu um tiro no rosto quando se encontrava na residência da mãe, no bairro Meireles. O empresário perdeu um olho e deve passar por várias cirurgias.

Na manhã desta sexta-feira (22), Hybernon foi transferido da emergência do Instituto Doutor José Frota (onde recebeu os primeiros atendimentos médicos) para o Hospital da Unimed. Seu estado de saúde é considerado estável, porém, o tiro recebido no rosto provocou sérias lesões na face, além da perda parcial da visão. Ele deverá ser posto em coma induzido.

A Polícia trabalha com duas hipóteses no caso. Uma linha seria tentativa de suicídio, mas nenhuma arma foi localizada no local onde ocorreu o incidente. A segunda, diz respeito a uma real tentativa de assassinato provavelmente motivada por vingança ou queima-de-arquivo. Depois de receber o tiro, o empresário ainda sofreu uma violenta queda da varanda do apartamento da mãe, localizado na Rua Juazeiro do Norte, no bairro Meireles, zona nobre de Fortaleza.

Hibernon Cysne está em liberdade provisória e sendo monitorado pela Justiça através de uma tornozeleira eletrônica.

Investigação

Em março último, o empresário e mais 16 pessoas tiveram prisões preventiva ou temporária decretadas pela Justiça Federal do Ceará a partir das investigações da Polícia e do Ministério Público federais (PF e MPF), que apontaram um golpe de aproximadamente R$ 100 milhões na Caixa, através de fraudes em financiamentos para compra de imóveis, além de empréstimos pessoais e para empresas do ramo de construção civil.

Segundo as investigações, a quadrilha era formada por empresários e altos funcionários da própria Caixa. O esquema funcionava da seguinte forma: os empresários falsificavam documentos e entregavam na Caixa para a abertura de processos de financiamentos de altos valores. Os funcionários do banco, a maioria gerentes, mesmo sabendo que a papelada era falsificada e que os bens colocados como garantia de pagamento não existiam, aprovavam os financiamentos em troca de propinas também milionárias. Assim, todos enriqueceram ilicitamente, comprando imóveis e carros de luxo e até um avião.

Crimes financeiros

Denominada de “Operação Fidúcia”, a ação da PF e do PF prendeu o homem tido como chefe da organização criminosa, o empresário Ricardo Alves Carneiro. Também foram detidos seus irmãos Diego Pinheiro Carneiro e Fernando Hélio Alves Carneiro. Entre os funcionários da Caixa também presos, se destacou o superintendente-regional da CEF no Ceará, Antônio Carlos Franci. Já Hibernon teriam como função na quadrilha aliciar “laranjas”, isto é, pessoas que teriam seus nomes usados na falsificação dos documentos entregues à Caixa.

Depois de vários dias atrás das grades, paulatinamente todos os presos na operação foram sendo soltos por ordem da própria Justiça Federal, através de pedidos de habeas corpus impetrados por seus advogados junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife.

Os suspeitos vão responder por crimes como estelionato, falsificação de documentos públicos, "lavagem" de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, além de formação de quadrilha, organização criminosa e enriquecimento ilícito. Parte dos bens dos investigados (veículos importados ou nacionais de luxo) já estão apreendidos, assim como um avião.

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