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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2020

1.979 em 4/06/2020

Universitário acusado de matar o pai adotivo sofre tentativa de pistolagem no Ceará

O universitário Francisco Telsângenes Diógenes, acusado de ter assassinado seu pai adotivo, o fazendeiro, agropecuarista e ex-prefeito do Município de Pereiro (340Km de Fortaleza), Francisco Mardônio Diógenes Osório, morto com dez tiros na manhã do dia 31 de dezembro de 2009, sofreu uma tentativa de assassinato, ontem (14), no Município de Ererê, na região do Vale do Jaguaribe  (315Km de Fortaleza). A Polícia Civil ainda está investigando o caso. Informações preliminares dão conta de que ele teria sofrido, pelo menos, dois tiros. Os motivos ainda são também desconhecidos, mas as autoridades trabalham com a hipótese de uma suposta pistolagem. Telsângenes foi, recentemente, pronunciado pela morte do pai adotivo e deverá ser levado a julgamento ainda no segundo semestre deste ano.

Em dezembro de 2009, Mardônio Diógenes supervisionava os trabalhos de reparos de uma cerca em uma de suas propriedades rurais, a Fazenda Campos, em Pereiro. Vítima de uma emboscada, ele morreu dentro de sua caminhoneta.

Investigações policiais realizadas na época revelaram a autoria e motivação do assassinato. Conforme o processo, Telsângenes era, na verdade, filho natural de um irmão do ex-prefeito (Chiquinho Diógenes, fazendeiro que também foi assassinado), mas por Mardônio fora adotado ainda criança.

Segundo consta no processo sobre a morte do ex-prefeito, Telsângenes levava uma boa vida. Morava em Fortaleza, onde cursava Nutrição em uma universidade particular. Tinha bons carros e gostava de postar fotos nas redes sociais se divertindo em festas de forró e vaquejadas. No entanto, internamente, a família vivia uma "guerra" por conta da disputa pelo dinheiro do ex-prefeito.

Consta na denúncia do Ministério Público que o rapaz e seu tio, Francisco Rodrigues Queiroz (este, irmão do fazendeiro) decidiram tramar e executar a morte de Mardônio Diógenes depois que este excluiu o filho adotivo da herança.

Meses antes de ser fuzilado, Mardônio Diógenes havia vendido uma de suas fazendas, no Município de Ererê, pelo valor de R$ 2,8 milhões. O filho não recebeu um só centavo desta bolada e também reclamava do valor da mesada que recebia do ex-prefeito. A investigação também descobriu que, em 2002, a mãe natural do rapaz, Zulene Pontes Martins, movera e ganhara uma ação judicial para anular o registro de nascimento do filho. O processo já havia tramitado em julgado, isto é, teve sentença definitiva, não cabendo mais recurso.

Dias antes de ser morto, o ex-prefeito, conforme o processo, havia confidenciado à sua filha natural e herdeira, Mardênia Aquino Diógenes; e a uma irmã (dele), Maria Santelma Diógenes, que vinha sofrendo ameaças por parte de Telsângenes.

Tudo isso levou o promotor de Justiça Marcus Vinícius de Oliveira Nascimento a denunciar o estudante e seu tio como responsáveis pelo crime. O juiz de Direito da 4ª Zona Judiciária do Estado, Magno Rocha Thé Mota, decidiu mandar os dois réus a Júri popular, o que deve acontecer nos próximos meses. Telsângenes e o tio serão julgados como autores de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (a disputa pela herança da vítima) e pela surpresa (impedindo que a vítima esboçasse reação), através da emboscada. Se condenados à pena máxima, serão sentenciados a 30 anos de prisão.

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